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Livro 'Cartas da Mata Atlântica: natureza e patrimônio cultural'

PAISAGENS CULTURAIS SÃO A NOSSA MAIOR RIQUEZA. 

 

   É tudo que a visão pode alcançar e a mente mapear, nominar e preservar em memória.

   Porém, nem tudo é visível aos olhos num primeiro momento, às vezes nem as maiores nem as menores coisas. A dimensão do observador importa muito!

   Assim, Carl Sauer racionaliza: “a cultura é o agente, a área natural é o meio, a paisagem cultural é o resultado”. (1)

Importa dizer que a espécie humana está em constante e intenso relacionamento com o meio ambiente, dele e nele, criando-se, apropriando-se.

   Esta perspectiva consciente é um tanto recente e seu marco é a Conferência de Estocolmo sobre Meio Ambiente Humano, em 1972. A variável ambiental considerada em todas as atividades humanas, por todos os humanos!

No Brasil, em 1988, o meio ambiente passa a ser objeto constitucional essencial, o natural e o artificial. Ar, Água, Solo, Florestas, Plantas e Animais, Biomas – Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga, Pampa, Mata Atlântica... Cultura, Cidade, Metrópole, Região, Urbano e Rural, Sustentabilidade...

   Como conciliar tudo isto, cada um e todos juntos? É possível?

   Bem, a dimensão do observador importa muito.

   Na Mata Atlântica, um dedicado observador tem acompanhado e anotado o movimento natural e artificial deste bioma protegido, construindo um minucioso relato, cientificamente fundamentado. Um tipo de retrato com quinze anos de frames. Um texto, para imagens e estudos futuros.

   Sua estratégia, caminhar a pé e coletar amostras, analisar e promover conhecimento acerca do objeto. Sua ferramenta de comunicação, as Cartas da Mata Atlântica.

   O observador, André August Remi de Meijer.

   Neste livro, vinte cartas selecionadas para compor um mosaico. Crônicas que revelam a natureza e o patrimônio cultural da área mais preservada dos cinco por cento de Mata Atlântica restantes no mundo. Boa parte n o litoral e nos planaltos do Paraná.

   “Muitos pensam que os seres bizarros, os duendes e os gigantes, vivem em lugares remotos, praticamente do outro lado do mundo. Mas não se deve esquecer que vive na Mata Atlântica um dos mais biodiversos e, por que não, ‘biobizarros’ biomas do planeta. Sim, a nossa Mata Atlântica é habitada por seres incríveis e muitos deles serão tratados nas páginas a seguir.” (2)

   No Paraná, a Mata Atlântica possui uma série de proteções legais, que mantém estabilizada sua dimensão, especialmente as tombadas no conjunto da Serra do Mar:

“A área, tombada em 1986, de 386 mil hectares, compreende unidades ambientais diferenciadas pela conformação e pela característica da vegetação, distinguindo-se a serra propriamente dita, os vales intermediários, o planalto e planície costeira.” (3)

   Nos maciços da Serra do Mar, o ponto culminante da região Sul do Brasil, o Pico Paraná (1962m s.n.m.) tem a seus pés o ponto mais profundo onde o Oceano Atlântico adentra nas Américas (mais de 40 km), tudo no Município de Antonina, cujo Centro Histórico é tombado e seu porto comercial já opera há 175 anos. E isto é só um exemplo, Paranaguá e Guaratuba também são marcantes. Guaraqueçaba, Morretes, Matinhos, Pontal do Paraná, especiais.

   Natureza e patrimônio cultural se unem numa só paisagem.

   Porém, não é só isto:

“Apesar de apresentar um dos menores litorais dentre os estados brasileiros, e de estar próximo a grandes centros urbanos, os ecossistemas dessa zona costeira estão pouco descaracterizados e sustentam, com seus recursos naturais, paisagísticos e históricos, 119 comunidades pesqueiras, sete municípios e várias atividades turísticas, portuárias e industriais, além de atividades produtivas associadas aos recursos marinhos.” (4)

   E mais ainda, na borda superior dos maciços da Serra do Mar, na face voltada para a Região Metropolitana de Curitiba, o mesmo conjunto natural permite a formação de mananciais hídricos concentrados em uma bacia complexa que forma adiante o Rio Iguaçú, o rio paranaense e que, ao seu desfecho, transforma-se nas maiores quedas de água do mundo. Cataratas. Além disto, espraia-se até os contrafortes do Segundo Planalto, na Escarpa Devoniana nas áreas da Microrregião de Ponta Grossa.

   Para estas dimensões superlativas, encontramos em outro observador a solução de continuidade para os olhos. Um fotógrafo destas paisagens, Denis Ferreira Netto.

   Sua estratégia, a fotografia aérea, além de visões do humano e do ambiente, com os pés no chão. Bem, uma imagem fala por si.

   Assim, na abertura de cada uma das Cartas da Mata Atlântica, uma fotografia selecionada, coligada pelo título e por um sentido maior de micro e macrovisão, escrita e imagética unidas para ampliar a paisagem cultural real.

   A visão do andarilho e a do voador, dois observadores.

   Agora é com você leitor observador, bom passeio!

 

Fábio André Chedid Silvestre

EDITOR

 

1 SAUER , Carl Ortwin. A morfologia da paisagem. In: CORRÊA, Roberto Lobato; ROSENDAHL, Zeny (Org.). Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998.

2 MEIJER , André. Cartas da Mata Atlântica – histórias da natureza do litoral paranaense. Curitiba: edição do autor, 2017.

3 LYRA, Cyro Illídio Corrêa de Oliveira; PARCHEN, Rosina Coeli Alice; LA PASTINA FILHO, José. Espirais do Tempo: bens tombados do Paraná. Paraná: Secretaria de Estado da Cultura, 2006.

4 CASTELLA, Paulo et ali. Subsídios ao Ordenamento das áreas Estuarina e Costeira do Paraná. Curitiba: SEMA, 2006

 

 

Se preferir, você pode fazer fazer o download do livro no link http://bit.ly/cartasdamataatlantica.

ERRATA:
Na p. 54, o texto correto da nota de rodapé (a) é: 
"(a) Quando, em 1940, a minha bisavó ficou viúva, ela saiu da granja “De Kienstee” e foi morar na cidadezinha Schoondijke (Calon 2004). Logo estourou a Segunda Guerra Mundial (ela havia sentido os horrores da Primeira Guerra Mundial de perto, pois morava na Bélgica) e foi talvez este fato, combinado com a perda precoce do seu marido, que a fez plantar, no seu novo jardim, um chorão (Salix X sepulcralis 'Chrysocoma'; sinôn. S. alba cv. ‘Tristis’). Sob os cuidados dela a árvore cresceu tão bem que na minha adolescência já estava entre as árvores mais possantes de Flandres da Zelândia. A sua copa magnífica forma uma cúpula sobre metade da rodovia ao lado, o que é visível no Google Earth. Os coordenados exatos são 51º21’05,56’’N e 3º33’27,83’’L."

 

 

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